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OPME e o financiamento da saúde suplementar: por que o ciclo financeiro se tornou uma questão estratégica

O mercado de Órteses, Próteses e Materiais Especiais (OPME) ocupa uma posição estratégica na saúde suplementar. São produtos diretamente relacionados à realização de procedimentos e à incorporação de tecnologias que ampliam as possibilidades de diagnóstico, tratamento e recuperação dos pacientes.

Mas existe uma dimensão desse mercado que muitas vezes permanece fora da discussão assistencial: como administrar o intervalo entre o fornecimento do material e o recebimento pela operação?

Esse intervalo pode representar meses e, quando se prolonga, passa a influenciar diretamente a estrutura financeira das empresas que atuam no setor.

Um estudo recente da Evodux Intelligence, baseado em dados do Anuário ABRAIDI 2026 e outras fontes setoriais, ajuda a dimensionar esse cenário. Segundo o levantamento, as empresas respondentes acumularam R$ 5,787 bilhões em pagamentos pendentes ou não realizados em 2025.

O dado chama atenção não apenas pelo volume, mas pelo efeito que esse descasamento pode produzir sobre toda a operação.

O prazo entre fornecimento e recebimento

No OPME, a operação financeira não acompanha necessariamente o ritmo da operação comercial.

O fornecedor pode adquirir ou disponibilizar o material, realizar o atendimento e cumprir suas obrigações operacionais antes que o ciclo financeiro esteja concluído.

Segundo o estudo da Evodux, o prazo médio para autorização da emissão da nota fiscal alcançou 170 dias em 2025. O mesmo levantamento aponta que 64% das empresas consultadas recorreram a crédito bancário para fazer frente às necessidades financeiras provocadas por esse ciclo.

Isso demonstra que o prazo de recebimento deixou de ser apenas uma variável administrativa.

Ele passou a ser uma variável estratégica.

Quanto maior o intervalo entre a realização da operação e a entrada dos recursos, maior é a necessidade de planejamento financeiro para preservar a continuidade operacional.

R$ 5,787 bilhões mostram a dimensão do problema

O levantamento da Evodux também aponta que retenções de faturamento, glosas e inadimplência somaram R$ 5,787 bilhões em 2025, equivalentes a 35,9% do faturamento reportado pelas empresas respondentes.

Esses três elementos, entretanto, não possuem a mesma natureza.

A retenção está relacionada ao custo financeiro provocado pelo prazo.

A glosa representa um valor sujeito a contestação, revisão ou reversão.

Já a inadimplência representa um risco de perda que pode comprometer diretamente o resultado da operação.

O estudo aponta ainda uma mudança relevante nessa composição: a inadimplência avançou 71,2% em 12 meses e passou a representar 61,2% das distorções financeiras analisadas.

Isso muda a discussão.

O desafio não está apenas em administrar prazos. Está também em compreender e administrar o risco associado aos recebimentos.

Quando o ciclo financeiro começa a influenciar a estratégia comercial

O impacto de um ciclo longo não fica restrito ao departamento financeiro.

Quando os recebimentos demoram, a empresa precisa avaliar com mais cuidado:

  • quais operações assumir;

  • quais prazos comerciais oferecer;

  • quanto manter comprometido em recebíveis;

  • como administrar estoques;

  • quais fontes de recursos utilizar;

  • como preservar capacidade de expansão;

  • e como equilibrar crescimento comercial e estrutura financeira.

O próprio estudo destaca que a perda de crédito pode alterar a política comercial antes mesmo de aparecer no resultado contábil, levando empresas a rever limites por fonte pagadora, exigir garantias, reduzir operações em consignação ou até recusar determinadas contas.

Ou seja: o risco financeiro pode começar a influenciar a operação muito antes de ser percebido no balanço.

Crescer exige mais do que ampliar o faturamento

Existe uma diferença importante entre crescer e crescer com previsibilidade.

Uma empresa pode ampliar suas vendas e, simultaneamente, aumentar a necessidade de recursos para financiar seu próprio ciclo operacional.

Por isso, o crescimento do mercado de OPME precisa ser acompanhado por uma estrutura financeira capaz de acompanhar seus prazos e particularidades.

Esse é um ponto especialmente relevante para distribuidores, importadores e fabricantes de produtos para saúde.

Quanto maior a operação, maior pode ser o volume de recursos alocado em recebíveis.

A questão passa a ser menos “quanto a empresa consegue vender?” e mais “como estruturar financeiramente esse crescimento?”

Essa relação entre crescimento e estrutura financeira é um dos pontos centrais das análises do Radar Mercantil.
O estudo parte de uma premissa simples: crescimento de faturamento, isoladamente, não é suficiente para medir a saúde financeira de uma operação.

O crescimento pode vir acompanhado de ciclos mais longos, maior necessidade de capital de giro e maior exposição a recebíveis. Por isso, entender como a demanda se transforma em resultado financeiro é tão importante quanto acompanhar o volume de vendas.

O papel da antecipação de recebíveis

Nesse contexto, a antecipação de recebíveis pode ser uma alternativa para empresas que possuem valores a receber, mas precisam reduzir o intervalo entre a realização da operação e a disponibilidade dos recursos.

Quando estruturada de forma adequada, ela pode contribuir para:

  • aumentar a previsibilidade financeira;

  • melhorar o planejamento do ciclo operacional;

  • reduzir a pressão provocada por prazos extensos;

  • liberar recursos para novas operações;

  • e proporcionar maior flexibilidade para a gestão financeira.

O ponto fundamental é que a solução precisa considerar as características específicas do setor.

O mercado de saúde suplementar possui particularidades próprias de faturamento, autorização, auditoria, glosas, prazos e relacionamento entre os diferentes agentes.

Por isso, uma estrutura financeira desenhada para empresas de diversos segmentos pode não necessariamente responder às especificidades de uma operação de OPME.

Uma visão especializada sobre o mercado de saúde

É justamente nessa realidade que a Health Mercantil atua.

A empresa foi estruturada para atender às necessidades financeiras de distribuidores, importadores e fabricantes de produtos para saúde, considerando as particularidades do ciclo operacional desse mercado.

Em vez de tratar o recebível apenas como um ativo financeiro, a proposta é compreender o contexto em que ele foi originado: a operação, o prazo, o relacionamento comercial e as características do setor.

Essa visão permite conectar a necessidade financeira da empresa à realidade de sua operação.

A Health Mercantil atua por meio do FIDC Health Mercantil, veículo financeiro do Grupo Health Mercantil, em conformidade com a Resolução CVM 175.

O futuro do OPME também passa pela estrutura financeira

O crescimento da saúde suplementar e a evolução tecnológica ampliam as oportunidades para o mercado de OPME.

Mas, para transformar crescimento de demanda em crescimento sustentável, é necessário olhar para toda a operação, inclusive para o intervalo entre fornecer e receber.

Os dados mais recentes reforçam uma realidade que o setor já conhece na prática: o ciclo financeiro faz parte do negócio.

E quanto mais longo esse ciclo, maior a importância de planejamento, previsibilidade e soluções financeiras alinhadas à realidade da saúde.

Para empresas de OPME, estruturar esse ciclo não significa apenas resolver uma necessidade pontual.

Significa criar condições financeiras para que a operação continue avançando.

A Health Mercantil entende o mercado de saúde porque nasceu para atender suas particularidades.

Se sua empresa atua como distribuidora, importadora ou fabricante de produtos para saúde e busca uma estrutura financeira alinhada ao seu ciclo operacional, fale com a Health Mercantil.

Conheça nossas soluções e entenda como podemos contribuir para a gestão dos seus recebíveis.