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O Brasil está operando mais: como o aumento da atividade cirúrgica na saúde suplementar está impulsionando o mercado dos dispositivos médicos.

Health | Intermedia

Nos últimos anos, a saúde suplementar brasileira entrou em um novo ciclo de crescimento.

A retomada econômica pós-pandemia, o aumento do número de beneficiários de planos de saúde e o envelhecimento da população vêm ampliando o volume de atendimentos médicos na rede privada. Esse movimento tem impactos diretos na dinâmica da medicina de alta complexidade e, consequentemente, no mercado de dispositivos médicos especialmente no segmento de órteses, próteses e materiais especiais (OPME). Mais beneficiários significam mais consultas, exames e, principalmente, mais procedimentos cirúrgicos. No sistema da saúde suplementar altamente dependente de tecnologia médica, cada cirurgia realizada movimenta uma cadeia extensa que envolve hospitais, indústria, importadores e distribuidores de dispositivos médicos. A expansão da saúde privada no Brasil é um dos principais motivos dessa transformação.

Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mostram que o setor atingiu níveis recordes de cobertura nos últimos anos. Em 2024, o Brasil registrou cerca de 52,2 milhões de beneficiários em planos médico-hospitalares, o maior número desde 2014. A tendência continuou em maio de 2025, o setor já contabilizava aproximadamente 52,6 milhões de usuários em planos de assistência médica, com crescimento anual superior a 1,1 milhão de beneficiários. Alguns meses depois, o número chegou a mais de 53,2 milhões de beneficiários, confirmando a expansão da base de usuários da saúde privada no país.

Fonte: AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE SUPLEMENTAR (ANS)

Esse crescimento amplia diretamente o acesso da população a procedimentos médicos especializados, incluindo cirurgias eletivas e tratamentos de média e alta complexidade. O efeito do aumento de beneficiários no volume de procedimentos: quando a base de beneficiários cresce, o volume de procedimentos assistenciais tende a acompanhar essa expansão.

Os planos de saúde são responsáveis por uma parcela significativa dos atendimentos médicos no Brasil, especialmente em áreas de maior complexidade. Hospitais privados concentram grande parte das cirurgias eletivas do país e são responsáveis pela incorporação mais rápida de tecnologias médicas.

Na prática, cada novo beneficiário adicionado ao sistema representa maior utilização da rede assistencial, com aumento progressivo de consultas, exames e intervenções cirúrgicas.

Esse fenômeno é particularmente relevante para especialidades como:
  • ortopedia
  • cardiologia
  • cirurgia vascular
  • neurocirurgia
  • oncologia cirúrgica

São justamente essas áreas que concentram a maior utilização de dispositivos médicos implantáveis e materiais classificados como OPME.

A complexidade da medicina moderna aumenta o uso de dispositivos

Nos últimos anos, a incorporação de novos dispositivos médicos ampliou significativamente as possibilidades terapêuticas. Implantes ortopédicos mais duráveis, válvulas cardíacas transcateter, stents coronários e dispositivos minimamente invasivos são apenas alguns exemplos de tecnologias que passaram a integrar a rotina hospitalar.

Esse avanço tem dois efeitos importantes:

  • O primeiro é ampliar o número de pacientes elegíveis para procedimentos cirúrgicos. Condições que antes eram tratadas apenas de forma conservadora agora podem ser resolvidas por meio de intervenções cirúrgicas menos invasivas.
  • O segundo é aumentar a utilização de dispositivos médicos por procedimento. Em muitos casos, uma única cirurgia envolve múltiplos materiais implantáveis e dispositivos especializados.

Como consequência, o crescimento da atividade cirúrgica gera um aumento proporcional, e muitas vezes exponencial na demanda por dispositivos médicos e materiais de OPME.

O papel estratégico da cadeia de OPME

Dentro desse contexto, a cadeia de fornecimento de dispositivos médicos assume um papel cada vez mais estratégico no funcionamento da medicina moderna. A realização de um procedimento cirúrgico depende da disponibilidade de materiais específicos, muitas vezes importados e altamente especializados. Implantes ortopédicos, próteses cardiovasculares, válvulas, placas, parafusos e cateteres fazem parte da estrutura de inúmeros procedimentos realizados diariamente em hospitais privados.

Distribuidores especializados em OPME atuam justamente nesse ponto crítico da cadeia, garantindo que hospitais e equipes médicas tenham acesso aos materiais necessários no momento exato do procedimento. Isso envolve uma combinação complexa de logística, gestão de estoque, relacionamento com fabricantes e conhecimento técnico sobre os dispositivos utilizados em diferentes especialidades médicas. Na prática, a eficiência dessa cadeia é um dos fatores que permite que o aumento da demanda por cirurgias seja atendido pelo sistema de saúde privado.

A combinação de fatores estruturais: crescimento da saúde suplementar, envelhecimento da população e avanço tecnológico, cria um ambiente favorável para a expansão do mercado de dispositivos médicos no Brasil.

À medida que o país amplia o acesso a procedimentos especializados e aumenta o volume de cirurgias realizadas na rede privada, cresce também a importância da cadeia de fornecimento de OPME. Mais do que um segmento de nicho, os dispositivos médicos se tornaram uma infraestrutura essencial para o funcionamento da medicina contemporânea. E, em um cenário de expansão da atividade cirúrgica, tudo indica que a relevância desse mercado continuará crescendo nos próximos anos.