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Um ciclo financeiro com particularidades próprias

OPME: Um ciclo financeiro com particularidades próprias

Quem atua com OPME sabe que a entrega de um produto para saúde não encerra uma venda. Na prática, é ali que começa uma etapa operacional que pode levar tempo até a conclusão do ciclo financeiro.

Depois da utilização do material no procedimento, ainda existem etapas de processamentos até que o faturamento seja efetivamente concluído e o recebimento ocorra. Para distribuidores de OPME, essa dinâmica exige planejamento e gestão sobre um fluxo financeiro que nem sempre acompanha o ritmo da operação.

É justamente nesse intervalo entre a operação realizada e a disponibilidade efetiva dos recursos que surge um dos principais desafios financeiros do setor: manter previsibilidade e capacidade operacional enquanto os valores seguem seu ciclo de faturamento e recebimento.

O que os números mostram

A 9ª edição da pesquisa anual da ABRAIDI (Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Produtos para Saúde), divulgada em abril de 2026, ajuda a dimensionar esse cenário. Em 2025, os valores pendentes ou não realizados junto a fornecedores de produtos para saúde somaram R$ 5,787 bilhões, o maior volume da série histórica.

Desse total, R$ 3,543 bilhões correspondem à inadimplência, que cresceu 71% em relação ao ano anterior. Outros R$ 2,077 bilhões se referem à retenção de faturamento, ou seja, a procedimentos já realizados que ainda aguardam autorização para a emissão da nota fiscal. Completam a conta R$ 167,17 milhões em glosas consideradas injustificadas pelas empresas.

Segundo a pesquisa, esse volume equivale a 22% do faturamento das empresas participantes em 2025. O levantamento mostra ainda que 74% delas enfrentaram glosas, que 64% recorreram a recursos bancários para sustentar a operação e que o prazo médio para a autorização da nota fiscal chegou a cerca de 170 dias.

Os indicadores dos hospitais ajudam a completar essa leitura. Segundo o Sistema de Indicadores da Anahp, no segundo trimestre de 2025 a glosa inicial representou 14,6% do faturamento dos hospitais associados, enquanto a glosa final ficou em 1,97%. Em outras palavras, boa parte do que é glosado no início acaba revertido ao longo da análise. Durante todo esse intervalo, porém, esses valores permanecem fora do fluxo financeiro, e o efeito se estende por toda a cadeia de fornecimento.

Os efeitos na gestão financeira

Quando o período entre faturar e receber se alonga, os reflexos aparecem em várias frentes da operação. O capital de giro fica alocado em vendas que já aconteceram, mas ainda não foram recebidas. O fluxo de caixa perde previsibilidade, o que torna o planejamento financeiro da empresa mais desafiador. A reposição de estoque, passa a exigir mais cuidado, e a capacidade de negociação com fabricantes e parceiros comerciais tende a diminuir.

Há também uma atenção tributária importante. Quando a emissão da nota fiscal é postergada após a entrega, a empresa precisa manter controles específicos para preservar sua conformidade. Soma-se a isso uma questão de governança, o que torna a gestão de recebíveis ainda mais complexa.

Vale lembrar que esses efeitos não se manifestam da mesma forma em todas as empresas. Eles variam conforme o porte, o perfil das fontes pagadoras e a estrutura de cada negócio. Cada operação possui uma dinâmica financeira própria, e é a partir dela que as respostas precisam ser construídas.

Gestão financeira enquanto a regulação amadurece

Mudanças regulatórias costumam acontecer de forma gradual. Enquanto isso, existem caminhos para que as empresas de OPME ganhem mais previsibilidade na gestão financeira.

O primeiro está na organização documental. Rastreabilidade, etiquetas, lacres e registros completos. O segundo está no acompanhamento dos recebíveis por fonte pagadora, já que conhecer os prazos efetivos de cada hospital e operadora permite projetar o fluxo de caixa com mais precisão. O terceiro está em contar com uma estrutura financeira alinhada ao ciclo da operação, que considere as particularidades do setor, inclusive o período entre a entrega e o faturamento.

É nesse terceiro ponto que nós atuamos. Com mais de duas décadas de experiência no ecossistema da saúde suplementar, a Health Mercantil conhece de perto os ciclos e as relações comerciais do segmento de OPME. Foi a partir desse conhecimento que estruturamos a solução financeira HEALTH | antecipa, que permite a antecipação de recebíveis de vendas faturadas e não faturadas originadas de hospitais, operadoras e demais fontes pagadoras, com uma análise que considera a dinâmica de cada operação. O objetivo é ampliar a previsibilidade do fluxo financeiro e apoiar a continuidade operacional das empresas do setor.

Conclusão

A retenção de faturamento é um tema estrutural do ecossistema da saúde suplementar e deve continuar em pauta nos próximos meses. Acompanhar de perto o debate regulatório junto à ANS e às entidades do setor faz parte da estratégia. A outra parte está dentro de cada empresa: compreender o próprio ciclo financeiro e estruturar a gestão para atravessá-lo com mais previsibilidade.

Entre faturar e receber, existe um ciclo que precisa ser estruturado. Se fizer sentido entender como ele se apresenta na sua operação, nossa equipe está à disposição para essa conversa.