Um mercado em expansão
O setor de dispositivos médicos no Brasil encerrou 2025 em crescimento. Diferentes entidades do setor acompanham esse mercado, cada uma com sua própria metodologia, e os dois principais levantamentos apontam na mesma direção.
Segundo o Boletim Econômico da Aliança Brasileira da Indústria Inovadora em Saúde (ABIIS), o mercado de dispositivos médicos cresceu 7% em 2025 na comparação com 2024 (ABIIS, março de 2026).
Já a Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos (ABIMO) estima que o faturamento do mercado chegou a R$ 85,4 bilhões em 2025, alta de 13,9% sobre o ano anterior (ABIMO, via Medicina S/A, setembro de 2026). Como os dois levantamentos seguem metodologias distintas, os percentuais não são diretamente comparáveis.
Para os próximos anos, a perspectiva segue positiva. Uma análise de consenso de mercado da consultoria Redirection International projeta crescimento médio de 7% ao ano para o setor até 2030. Segundo a análise, esse movimento deve ser impulsionado pelo envelhecimento da população e pela maior demanda por serviços de saúde (Redirection International, via Medicina S/A, fevereiro de 2026).
O peso das importações
Os dados de 2025 também mostram a relevância dos fornecedores externos para o mercado brasileiro. As importações de dispositivos médicos somaram US$ 10,2 bilhões, alta de 10,9% em relação a 2024, enquanto as exportações chegaram a US$ 1 bilhão. O déficit da balança comercial do setor ficou em US$ 9,2 bilhões (ABIIS, março de 2026).
Estados Unidos, Alemanha e China responderam juntos por 44,4% das importações brasileiras do setor, com participações de 17,1%, 14,9% e 12,4%, respectivamente. O segmento de equipamentos de diagnóstico por imagem e insumos registrou a maior alta nas importações, de 20,8% (ABIIS, março de 2026).
Pelo indicador de consumo aparente, que soma a produção nacional e as importações e desconta as exportações, a produção nacional responde por cerca de 40% do consumo de dispositivos médicos no país (ABIMO, via Medicina S/A, setembro de 2026).
Para importadores e distribuidores de OPME, essa característica do mercado tem reflexo na gestão financeira. A aquisição de produtos no exterior envolve compromissos em moeda estrangeira e prazos próprios de nacionalização, enquanto o recebimento das fontes pagadoras no Brasil segue outro ciclo. Planejar esses dois movimentos de forma integrada é parte importante da gestão.
O lugar dos implantes nesse cenário
Dentro do panorama geral, o segmento de próteses e implantes, categoria em que se enquadram diversos produtos de OPME, cresceu 7% em 2025, no mesmo ritmo do mercado como um todo (ABIIS, março de 2026).
O ano começou em ritmo mais forte para o segmento. No primeiro trimestre de 2025, próteses e implantes haviam crescido 13,8% na comparação anual (ABIIS, via Medicina S/A, junho de 2025). O resultado consolidado de 7% indica que, no acumulado do ano, o segmento cresceu em ritmo mais moderado do que o registrado no primeiro trimestre.
Nas operações de OPME que adotam o modelo consignado, a gestão ganha uma camada própria. Nesse modelo, o distribuidor mantém o material disponível no hospital, e o produto permanece em sua propriedade até a utilização no procedimento. Isso exige planejamento sobre o capital alocado em estoque, a logística de reposição e o acompanhamento de cada etapa até o faturamento.
Um ciclo financeiro que acompanha o crescimento
O crescimento do mercado convive com um ciclo financeiro longo, característico do ecossistema da saúde suplementar.
Em 2025, os valores pendentes ou não realizados junto a fornecedores de produtos para saúde somaram R$ 5,787 bilhões, volume equivalente a 22% do faturamento das empresas participantes da pesquisa. Desse total, R$ 2,077 bilhões correspondem à retenção de faturamento, e o prazo médio para a autorização da emissão da nota fiscal chegou a cerca de 170 dias (ABRAIDI, 9ª edição da pesquisa anual, abril de 2026).
Do lado dos hospitais, que estão entre os clientes dos fornecedores de OPME, o prazo médio de recebimento junto às operadoras foi de 77,35 dias em 2025, e o índice de glosa inicial ficou em 15,93% (Observatório Anahp, 9ª edição, abril de 2026). Esses indicadores ajudam a contextualizar o ciclo financeiro de toda a cadeia.
Cada operação possui uma dinâmica financeira própria, que varia conforme o porte, o portfólio e o perfil das fontes pagadoras. Ainda assim, os longos períodos entre faturamento e recebimento são uma característica do ecossistema que precisa estar presente no planejamento financeiro de qualquer empresa do setor.
Conclusão
Os dados de 2025 mostram um mercado de dispositivos médicos em crescimento, com o segmento de próteses e implantes acompanhando esse movimento e projeções positivas para os próximos anos. Para distribuidores, fabricantes e importadores, esse cenário representa oportunidade e também exigência: expandir operações em um mercado crescente pede uma estrutura financeira alinhada às particularidades do setor, como a relevância das importações, o capital alocado em estoque consignado e os longos períodos entre faturamento e recebimento.
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Fontes
- ABIIS. Boletim Econômico 2025. Futuro da Saúde, mar. 2026. Acessar
- ABIIS. Boletim Econômico, 1º trim. 2025. Medicina S/A, jun. 2025. Acessar
- ABIMO. Medicina S/A, set. 2026. Acessar
- ABRAIDI. Pesquisa anual, 9. ed. XVI Finance, abr. 2026. Acessar
- ANAHP. Observatório Anahp, 9. ed. Legismap, abr. 2026. Acessar
- REDIRECTION INTERNATIONAL. Medicina S/A, fev. 2026. Acessar
- https://medicinasa.com.br/?p=154389