Um ciclo que ficou mais longo
Para quem atua com OPME, o tempo entre entregar um produto e receber por ele é parte da rotina. Os dados do setor mostram que esse intervalo vem se ampliando de forma consistente nos últimos anos.
O prazo médio entre o fornecimento e o recebimento passou de 105 dias em 2021 para 158 dias em 2025, um alongamento de 50,5% no período (Radar Mercantil 2026, Health Mercantil, cap. 7). A evolução foi contínua: 110 dias em 2022, 128 em 2023 e 142 em 2024 (Radar Mercantil 2026, Health Mercantil, cap. 7).
Na prática, cada venda realizada leva hoje mais de cinco meses, em média, para se transformar em recebimento (cálculo da Health Mercantil a partir do Radar Mercantil 2026).
Duas etapas, um mesmo ciclo
Os 158 dias se dividem em duas etapas com dinâmicas próprias.
Do fornecimento ao faturamento. São, em média, 76 dias entre o fornecimento do material e a emissão da nota fiscal, o equivalente a 48% do ciclo (Radar Mercantil 2026, Health Mercantil, cap. 7).
Do faturamento ao recebimento. São, em média, 82 dias entre a emissão da nota fiscal e a liquidação efetiva pela fonte pagadora, o equivalente a 52% do ciclo (Radar Mercantil 2026, Health Mercantil, cap. 7).
Cada etapa pede uma gestão diferente. A primeira está mais ligada à organização operacional e documental, e a segunda, aos prazos de pagamento praticados por cada cliente. Juntas, elas definem quanto capital de giro a operação precisa ter disponível para sustentar o próprio crescimento.
O que muda na virada do ano
Com um ciclo médio de 158 dias, o calendário ganha um peso especial no fim do ano.
Considerando os 82 dias médios entre faturamento e recebimento, o faturamento realizado a partir de meados de outubro tende a se converter em recebimento apenas em 2027. Uma nota emitida em meados de novembro seria recebida por volta do início de fevereiro, e uma nota de meados de dezembro, perto do início de março (cálculo ilustrativo da Health Mercantil a partir do Radar Mercantil 2026).
Se o ponto de partida for o fornecimento, a janela é ainda maior. Considerando o ciclo completo de 158 dias, o que foi fornecido a partir do fim de julho tende a ser recebido apenas no próximo ano (cálculo ilustrativo da Health Mercantil a partir do Radar Mercantil 2026). Cada operação possui prazos próprios, que variam conforme o cliente e a fonte pagadora.
Isso tem um efeito direto no planejamento. Parte do faturamento do último trimestre não estará disponível no fluxo de caixa do início de 2027, período em que a empresa organiza os compromissos do novo ano.
Planejar esse período é questão de estrutura
O alongamento do ciclo não é um evento isolado. É uma característica do ecossistema da saúde suplementar que precisa estar presente no planejamento financeiro de qualquer empresa do setor.
Para a virada do ano, vale responder a algumas perguntas com antecedência: quanto do faturamento de outubro a dezembro só será recebido em 2027, como os prazos se distribuem entre os principais clientes e fontes pagadoras, se os compromissos de janeiro a março estão alinhados ao calendário real de recebimentos e se a estrutura financeira acompanha o ritmo da operação. Com essas respostas, o ciclo longo deixa de ser uma surpresa e passa a ser uma variável conhecida do planejamento.
HEALTH | antecipa: previsibilidade nas duas etapas do ciclo
Com mais de duas décadas de experiência no ecossistema da saúde suplementar, a Health Mercantil acompanha de perto os ciclos financeiros da cadeia de fornecimento, e é esse conhecimento que sustenta o Radar Mercantil.
A partir dele, estruturamos o HEALTH | antecipa, que oferece gestão de recebíveis alinhada ao planejamento financeiro, com antecipação de recebíveis de vendas faturadas e não faturadas originadas de hospitais, operadoras e demais fontes pagadoras.
Por considerar também as vendas ainda não faturadas, o HEALTH | antecipa atua nas duas etapas do ciclo: o período até o faturamento e o período até o recebimento. O objetivo é ampliar a previsibilidade do fluxo financeiro e apoiar a continuidade operacional, inclusive na virada do ano.
Conclusão
O ciclo entre fornecer e receber ficou mais longo, e a virada do ano torna esse efeito ainda mais visível no planejamento. Para as empresas de OPME, conhecer os prazos de cada etapa e organizar a estrutura financeira com antecedência permite atravessar o início de 2027 com mais previsibilidade e continuidade operacional.
Fontes
Radar Mercantil 2026. Health Mercantil, 1. ed., jun. 2026. Capítulo 7: Intensidade Operacional e Ciclo Financeiro (Tabela 7.2). Base de dados: Databook Radar Mercantil 052026-v.1. Disponível em: healthmercantil.com.br/radarmercantil Cálculos da Health Mercantil (conversão em meses e datas ilustrativas da virada do ano) elaborados a partir dos prazos médios do Radar Mercantil.